Efeito rebote: por que acontece e o que reduz o risco
O rebote tem causas conhecidas, e nenhuma delas é falta de caráter: entender o mecanismo mostra onde a massa magra e o hábito reduzem o risco.
O que acontece
Repetindo o combinado do dia 17, porque é sério: decisões sobre o seu tratamento são do seu médico. Aqui falamos do que a literatura descreve e do que está sob o seu controle.
O reganho de peso depois de um emagrecimento grande não é castigo moral. É a soma de três forças que agem ao mesmo tempo, e todas têm nome.
Primeira força: adaptação metabólica. Quando você emagrece, o corpo passa a gastar menos energia. Parte disso é esperado, você ficou menor. Mas existe um componente adicional, em que o gasto cai mais do que o previsto só pelo tamanho novo. Um exemplo bastante citado é o acompanhamento de participantes do programa The Biggest Loser publicado por Fothergill e colaboradores na revista Obesity em 2016, que documentou taxa metabólica de repouso persistentemente abaixo do previsto anos depois da perda de peso, junto com reganho na maioria.
Segunda força: a fome muda de patamar. Sumithran e colaboradores publicaram no New England Journal of Medicine em 2011 um estudo mostrando que, após perda de peso, alterações em hormônios relacionados a apetite (incluindo grelina mais alta e sinais de saciedade mais baixos) persistiam por pelo menos um ano. Traduzindo: o corpo emagrecido não sente fome como o corpo que nunca emagreceu. Isso vale para emagrecimento com ou sem medicamento, e é a razão física de a manutenção ser mais difícil que a perda.
Terceira força: a perda de massa magra. Emagrecimento rápido, com pouca proteína e sem estímulo de força, leva junto uma fatia de músculo. Menos músculo significa menos tecido metabolicamente ativo, menos força no dia a dia e, do ponto de vista estético, aquele resultado que a pessoa descreve como "emagreci mas fiquei mole". É o problema que o Protocolo Firmeza ataca desde o dia 1.
Junte as três e o quadro fica claro: quando o efeito do medicamento sobre o apetite diminui, a pessoa encontra um corpo que gasta menos, sente mais fome e tem menos músculo do que gostaria. Não é fraqueza. É biologia com o vento contra.
Agora a parte útil. Não existe forma de garantir que o reganho não vai acontecer, e desconfie de quem promete isso. O que a evidência sustenta é que o risco pode ser reduzido, e os fatores que aparecem repetidamente são estes:
Massa magra preservada. Treino de força durante o emagrecimento reduz a perda de músculo em comparação com dieta isolada, o que ajuda a segurar o gasto energético e a funcionalidade.
Proteína adequada. Ingestão proteica suficiente durante o déficit protege massa magra e aumenta saciedade por refeição.
Atividade física constante e alta. O National Weight Control Registry, banco de dados norte-americano com milhares de pessoas que perderam peso significativo e mantiveram por anos (Wing e Phelan, American Journal of Clinical Nutrition, 2005), mostra padrões comuns entre quem mantém: nível alto de atividade física, alimentação consistente inclusive nos fins de semana, e automonitoramento frequente do peso.
Automonitoramento com gatilho de ação. Não é pesar para se punir. É ter um número que dispara uma resposta combinada antes de o desvio virar dez quilos.
Sono e regularidade. Volte ao dia 15: sono curto empurra a fome para cima justamente na fase em que ela já está mais alta.
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